{"id":631,"date":"2026-08-16T17:55:20","date_gmt":"2026-08-16T08:55:20","guid":{"rendered":"https:\/\/contents-construction.com\/?p=631"},"modified":"2026-07-12T17:56:15","modified_gmt":"2026-07-12T08:56:15","slug":"ama-bl-tailandes-as-raizes-dele-estao-no-manga-japones-para-meninas-dos-anos-70","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contents-construction.com\/?p=631&lang=pt","title":{"rendered":"Ama BL tailand\u00eas? As ra\u00edzes dele est\u00e3o no mang\u00e1 japon\u00eas para meninas dos anos 70"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>50 anos de hist\u00f3ria do yaoi, do BL e das mulheres que constru\u00edram um g\u00eanero.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda vez que uma s\u00e9rie tailandesa vira tend\u00eancia mundial ou um novo mang\u00e1 BL lidera as vendas da sua livraria, voc\u00ea est\u00e1 vendo o cap\u00edtulo mais recente de uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou h\u00e1 meio s\u00e9culo, nas p\u00e1ginas do mang\u00e1 sh\u014djo (para meninas) japon\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anos 70: as pioneiras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio dos anos 70, um grupo de jovens mangak\u00e1s \u2014 conhecidas como o <strong>Grupo do ano 24<\/strong> (<em>Nij\u016byo-nen gumi<\/em>, pelo ano de nascimento delas, Sh\u014dwa 24 \/ 1949) \u2014 come\u00e7ou a publicar mang\u00e1s sh\u014djo sobre la\u00e7os emocionais e rom\u00e2nticos intensos entre garotos bonitos: obras como <em>O Cora\u00e7\u00e3o de Thomas<\/em>, de Moto Hagio, e <em>Kaze to Ki no Uta<\/em>, de Keiko Takemiya. N\u00e3o era erotismo: eram explora\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, muitas vezes tr\u00e1gicas, do amor \u2014 escritas por mulheres, para leitoras, numa \u00e9poca em que hist\u00f3rias centradas no desejo feminino enfrentavam fortes restri\u00e7\u00f5es sociais. Depois, revistas especializadas (a mais famosa, a <em>June<\/em>, lan\u00e7ada em 1978) deram ao estilo um lar comercial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anos 80 e 90: o &#8220;yaoi&#8221; e a explos\u00e3o d\u014djinshi<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cena de autopublica\u00e7\u00e3o amadora (d\u014djinshi), as f\u00e3s come\u00e7aram a criar obras de par\u00f3dia shipando personagens masculinos de s\u00e9ries populares. Foi essa cena que cunhou a palavra <strong>yaoi<\/strong> \u2014 sigla autoir\u00f4nica de <em>yama nashi, ochi nashi, imi nashi<\/em> (&#8220;sem cl\u00edmax, sem desfecho, sem sentido&#8221;), uma piada sobre quadrinhos de f\u00e3 sem enredo. Ao longo dos anos 90, a ind\u00fastria comercial se profissionalizou em torno do termo de marketing <strong>Boys&#8217; Love (BL)<\/strong>, usado no Jap\u00e3o at\u00e9 hoje. Resumindo: <em>sh\u014dnen-ai<\/em> \u00e9 o termo vintage dos anos 70, <em>yaoi<\/em> carrega conota\u00e7\u00e3o de d\u014djinshi e par\u00f3dia, e <em>BL<\/em> \u00e9 o guarda-chuva comercial moderno.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A gram\u00e1tica do g\u00eanero: seme e uke<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O BL japon\u00eas desenvolveu conven\u00e7\u00f5es narrativas pr\u00f3prias, sendo a mais famosa a dupla de pap\u00e9is <strong>seme\/uke<\/strong> (&#8220;quem corteja \/ quem \u00e9 cortejado&#8221;), anotada com um &#8220;\u00d7&#8221; \u2014 e a ordem dos nomes ao redor desse \u00d7 \u00e9 gram\u00e1tica sagrada no fandom. Se essas conven\u00e7\u00f5es libertam ou limitam o g\u00eanero \u00e9 debate de d\u00e9cadas <em>dentro do pr\u00f3prio Jap\u00e3o<\/em>, e o BL moderno cada vez mais brinca com elas ou as subverte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que mulheres? A pergunta com 50 anos de respostas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O BL foi criado esmagadoramente por mulheres, para mulheres, e a pesquisa acad\u00eamica discute h\u00e1 d\u00e9cadas o porqu\u00ea: dist\u00e2ncia segura dos roteiros rom\u00e2nticos patriarcais, liberdade de escrever o desejo sem um corpo feminino exposto a julgamento, pura experimenta\u00e7\u00e3o narrativa. Existe um corpo acad\u00eamico japon\u00eas s\u00e9rio sobre isso (<em>BL studies<\/em> \u00e9 um campo de verdade). Ao mesmo tempo, uma hist\u00f3ria honesta precisa registrar o longo <strong>debate entre BL e representa\u00e7\u00e3o LGBTQ real<\/strong> \u2014 incluindo o &#8220;debate yaoi&#8221; (<em>yaoi rons\u014d<\/em>) dos anos 90 no Jap\u00e3o, quando cr\u00edticos gays questionaram os retratos fantasiosos do g\u00eanero. O BL japon\u00eas contempor\u00e2neo e suas leitoras levaram essas cr\u00edticas a s\u00e9rio, e hoje a fronteira entre BL e literatura queer \u00e9 bem mais fluida do que em 1995.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Jap\u00e3o para o mundo \u2014 e para o Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O BL japon\u00eas se espalhou pela \u00c1sia entre os anos 90 e 2000, inspirando diretamente quem depois construiria a <strong>ind\u00fastria de dramas BL da Tail\u00e2ndia<\/strong> \u2014 hoje um neg\u00f3cio de exporta\u00e7\u00e3o com apoio estatal: as autoridades tailandesas promovem conte\u00fado BL\/GL no exterior e s\u00f3 o est\u00fadio GMMTV planeja 21 t\u00edtulos BL para 2026. No mundo hisp\u00e2nico, o licenciamento de <em>Junj\u014d Romantica<\/em> pela Ivrea abriu a porta da publica\u00e7\u00e3o comercial de BL. E no Brasil, o BL j\u00e1 \u00e9 presen\u00e7a fixa de um mercado de mang\u00e1s em n\u00edvel recorde \u2014 com editoras como NewPOP, JBC e Panini publicando o g\u00eanero regularmente, e quase 700 volumes de mang\u00e1 lan\u00e7ados no pa\u00eds em 2025. Nas Filipinas, h\u00e1 relatos de que mang\u00e1s BL vendem em n\u00edvel de bestseller nas grandes livrarias desde cerca de 2015 (fonte de site de f\u00e3; <strong>n\u00e3o verificado<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a hist\u00f3ria importa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecer essa linhagem muda como voc\u00ea l\u00ea tudo: os dramas tailandeses deixam de ser uma moda surgida do nada e viram o galho mais novo de uma \u00e1rvore de 50 anos cujas ra\u00edzes continuam em T\u00f3quio \u2014 nas revistas sh\u014djo, nos corredores de d\u014djinshi e nas canetas de mulheres que queriam hist\u00f3rias que ningu\u00e9m mais escreveria para elas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fontes:<\/strong> O esbo\u00e7o hist\u00f3rico (Grupo do ano 24, <em>June<\/em>, etimologia de yaoi, yaoi rons\u014d) corresponde \u00e0 historiografia padr\u00e3o e amplamente documentada do BL \u2014 ver, p. ex., <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Fandom_de_yaoi\">Wikipedia: Fandom de yaoi (ES)<\/a> e a literatura acad\u00eamica de BL studies; datas e detalhes espec\u00edficos devem ser conferidos em fontes prim\u00e1rias antes de cita\u00e7\u00e3o precisa. \u00b7 <a href=\"https:\/\/www.thaich.net\/news\/20251113bg.htm\">Promo\u00e7\u00e3o estatal tailandesa de exporta\u00e7\u00e3o BL\/GL (Thailand Hyperlinks)<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/www.animatetimes.com\/news\/details.php?id=1768284084\">Line-up GMMTV 2026 (Animate Times)<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/blogbbm.com\/2026\/01\/04\/numeros-do-mercado-brasileiro-de-mangas-em-2025\/\">Mercado brasileiro de mang\u00e1s 2025 (BBM)<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/blyme.com.br\/artigos\/retrospectiva-2024-mercado-de-mangas-para-os-fas-de-bl-no-brasil\/\">Retrospectiva BL Brasil (Blyme Yaoi)<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/blbliss.com\/bl-history\/\">Dado das Filipinas (BL Bliss \u2014 n\u00e3o verificado)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>50 anos de hist\u00f3ria do yaoi, do BL e das mulheres que constru\u00edram um g\u00eanero. 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